Uma satisfação que também revela aquela do Papa Francisco: “Congratulações, Biden”

Joe Biden. (Foto: Gage Skidmore | Flickr CC)

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09 Novembro 2020

“Agradecemos a Deus pela bênção da liberdade”. A satisfação da Igreja Católica com a eleição de Joe Biden vem do presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, o arcebispo de Los Angeles José Horacio Gomez. Mas é uma mensagem que filtra a bênção papal sobre a eleição do candidato democrata à Casa Branca porque, como prevê o protocolo do Vaticano, o telegrama oficial de votos do Papa a Biden só será enviado após o juramento marcado para 20 de janeiro próximo. Nos sagrados palácios, entretanto, não se esconde a grande satisfação pelo fim da era Donald Trump, com quem as relações nunca foram boas. “Congratulamo-nos com o senhor Biden - disse Gomez - e reconhecemos que ele se une ao falecido presidente John Fitzgerald Kennedy como segundo presidente dos Estados Unidos a professar a fé católica. Também nos congratulamos com a senadora californiana Kamala Devi Harris, que se torna a primeira mulher na história a ser eleita vice-presidente”.

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada por Il Fatto Quotidiano, 08-11-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

A cúpula dos bispos norte-americanos ressaltou que “o povo norte-americano se expressou nestas eleições. Agora é a hora de nossos líderes se reunirem em um espírito de unidade nacional e se prepararem para o diálogo e o compromisso com o bem comum. Como católicos e estadunidenses, nossas prioridades e a nossa missão são claras. Estamos aqui para seguir Jesus Cristo, para dar testemunho de seu amor em nossas vidas e para construir seu reino na terra. Creio que, neste momento da história dos Estados Unidos, os católicos tenham o dever especial de ser pacificadores, de promover a fraternidade e a confiança mútua e de rezar por um espírito renovado de verdadeiro patriotismo para o nosso país. A democracia exige que todos nos comportemos como pessoas virtuosas e autodisciplinadas. Exige que respeitemos a liberdade de expressão das opiniões e tratemos uns aos outros com caridade e civilidade, mesmo que possamos discordar profundamente nos nossos debates sobre questões de direito e de políticas públicas”. Por fim, com um convite “a trabalhar juntos para realizar a bela visão dos missionários e fundadores dos Estados Unidos: uma nação sob a insígnia de Deus, onde se defende a santidade de cada vida humana e se garante a liberdade de consciência e de religião”.

Palavras eloquentes que abrem caminho para o diálogo entre o novo inquilino da Casa Branca e o Vaticano. Afinal, foi Biden, então vice-presidente de Barack Obama, em 2015, quem deu as boas-vindas a Bergoglio no Congresso dos Estados Unidos, onde nunca um pontífice havia sido convidado a falar antes. Assim como certamente não são mistério as péssimas relações entre Francisco e Trump. Um confronto que começou poucos meses antes que o republicano fosse eleito para a Casa Branca.

Aos ataques de Trump, Bergoglio respondeu com firmeza: “Graças a Deus ele disse que sou um político porque Aristóteles define a pessoa humana como um animal politicus, pelo menos sou uma pessoa humana. E o que sou, um peão? Talvez, eu não sei, vou deixar isso para o juízo das pessoas. Além disso, uma pessoa que só pensa em construir muros, seja onde for, e não em construir pontes, não é cristã. Isso não vem do evangelho. Quanto a votar ou não votar, eu não me envolvo, só digo que aquele homem não é cristão”. Afirmações que ressoaram como uma verdadeira excomunhão no meio da campanha eleitoral e à qual Trump replicou imediatamente: “O Papa é um personagem muito político”.

Com a eleição para a Casa Branca, as relações não mudaram. Um único encontro cara a cara, em 2017, de trinta minutos com Trump que imediatamente tentou aliviar a tensão apertando a mão de Bergoglio pela primeira e única vez: “É uma grande honra estar aqui”. E que, depois da audiência privada, acrescentara: “Não vou esquecer o que ele me disse”.

Mas as relações entre os Estados Unidos e o Vaticano não mudaram. Vimos isso recentemente, no meio da campanha eleitoral, quando o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, atacou a Santa Sé em vista da renovação do acordo com a China pela nomeação dos bispos. Palavras que abriram um verdadeiro confronto diplomático à distância. “Há dois anos - disse Pompeo - a Santa Sé chegou a um acordo com o Partido Comunista Chinês, na esperança de ajudar os católicos na China. Em vez disso, os abusos do partido contra os crentes só pioraram. Se o acordo for renovado, o Vaticano está colocando em risco sua autoridade moral”.

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